Linhas ociosas: como encontrar e quanto elas custam

· Equipe SGPC

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Uma linha ociosa não gera alerta. Ela não estoura franquia, não dispara variação e não aparece em nenhuma exceção. Ela só é cobrada, todo mês, com o mesmo valor — e é essa estabilidade que a torna invisível.

O que conta como ociosa

Vale separar três situações que costumam ser tratadas como uma só:

Sem tráfego. A linha está ativa, é cobrada, e não registrou nenhuma chamada, mensagem ou consumo de dados no período. Normalmente é uma linha de colaborador desligado, um chip de aparelho quebrado ou um número de contingência que ninguém revisa.

Subutilizada. A linha tem tráfego, mas muito abaixo do plano contratado. Um plano de 20 GB numa linha que consome 1 GB não é ociosidade total, é plano errado.

Órfã. A linha tem consumo, mas não tem dono ativo no inventário. Alguém usa, e a conta não tem responsável. É o caso mais delicado, porque cancelar sem investigar interrompe alguém.

As três drenam orçamento por motivos diferentes e exigem decisões diferentes.

Quanto costuma representar

Em bases que nunca passaram por revisão, é comum encontrar entre 5% e 15% das linhas sem tráfego relevante.

O cálculo do impacto é direto:

linhas ociosas × mensalidade média × 12 = custo anual evitável

Numa base de mil linhas, com 8% ociosas e mensalidade média de R$ 60, são R$ 57,6 mil por ano em linhas que ninguém usa. Sem contar aparelho, seguro e serviços agregados a elas.

Por que a planilha não encontra

Para saber que uma linha está ociosa você precisa de duas coisas ao mesmo tempo: a lista do que é cobrado e o tráfego de cada número.

A primeira está na fatura. A segunda está no detalhamento, que é um arquivo grande demais para abrir no Excel. Cruzar as duas na mão, todo mês, para mil números, não acontece — então não é feito.

Há ainda um detalhe que derruba a análise ingênua: ausência de tráfego não é ausência de registro. Uma linha pode aparecer no detalhamento com zero chamadas e ainda assim ter consumido dados, ou o contrário. A conferência precisa olhar todos os tipos de evento, não só voz.

Como identificar de forma confiável

A análise que funciona tem quatro passos.

  1. Consolide a base cobrada. Todo número que apareceu na fatura do período, com o valor de cada um.
  2. Some o tráfego por número. Voz, dados e mensagens, do detalhamento e dos bilhetes do PABX quando houver.
  3. Cruze com o inventário. Cada número recebe dono, centro de custo e situação — ativo, desligado ou sem vínculo.
  4. Aplique uma janela. Uma linha sem tráfego em um mês pode ser férias. Três meses seguidos é outra coisa. A janela evita cancelar quem só estava de licença.

O resultado é uma lista com número, dono, centro de custo, custo mensal e meses sem uso. Com essa lista, a decisão deixa de ser opinião.

O que fazer com a lista

Nem toda linha ociosa deve ser cancelada.

  • Sem dono e sem tráfego há meses — cancelar. É o caso limpo.
  • Com dono desligado — cancelar e corrigir o processo de saída, que é o que criou o problema.
  • Sem tráfego mas com dono ativo — perguntar. Pode ser contingência legítima, aparelho quebrado ou alguém que usa o pessoal para trabalhar.
  • Subutilizada — remanejar o plano, não cancelar a linha.
  • De contingência — manter, mas marcar como tal, para não voltar na lista todo mês.

A última é importante. Uma análise que devolve os mesmos falsos positivos todo mês perde a confiança da equipe, e uma lista em que ninguém confia não é usada.

O problema por trás

Linha ociosa é sintoma. A causa é o inventário desatualizado.

Enquanto a saída de um colaborador não disparar a revisão dos ativos dele, o estoque de linhas órfãs volta a crescer depois de cada limpeza. A revisão resolve o mês. O processo resolve o ano.


O SGPC cruza fatura, detalhamento e inventário e lista as linhas sem tráfego com o custo de cada uma. Veja o inventário de ativos ou fale com a gente.