CDR de PABX: o que o bilhete revela e a fatura esconde

· Equipe SGPC

PABXAuditoria de faturas

Sua central telefônica registra cada chamada que passa por ela. A operadora registra cada chamada que ela cobra.

São duas listas do mesmo mês, produzidas por sistemas diferentes, com critérios diferentes. Quase ninguém compara as duas — e é na diferença entre elas que mora a informação.

O que é um CDR

CDR é o registro que a central grava ao final de cada chamada: quem originou, para quem, quando começou, quanto durou, por qual tronco saiu.

O formato varia por fabricante. Cisco, Avaya e VR gravam campos diferentes, em ordens diferentes, em arquivos que a central deposita num diretório. Ler isso exige um padrão por central, mas o conteúdo essencial é o mesmo.

O que o bilhete tem e a fatura não

Quem originou. A fatura mostra o número que saiu. O bilhete mostra o ramal. É a diferença entre saber que a empresa gastou e saber qual área gastou.

A chamada que não foi cobrada. Chamadas internas, para o 0800 e para ramais remotos não aparecem na fatura. Elas aparecem no bilhete — e são parte real do uso da telefonia, mesmo sem custo direto.

A tentativa que não completou. Chamadas não atendidas e ocupadas ficam no bilhete. Não geram custo, mas dizem muito sobre dimensionamento de tronco e qualidade de atendimento.

O tronco usado. Quando existe mais de uma rota de saída, o bilhete mostra por onde a chamada saiu. É o que permite avaliar se o roteamento está mandando tráfego pela rota mais cara.

O que a fatura tem e o bilhete não

O preço. A central não sabe tarifa. Ela sabe duração e destino.

A chamada que não passou pela central. Ramais em nuvem, softphones fora da rota padrão e linhas móveis não geram bilhete na central, mas geram cobrança.

Taxas e serviços. Assinatura, franquia e serviços recorrentes só existem na fatura.

O que a comparação revela

Cruzar as duas listas responde perguntas que nenhuma delas responde sozinha.

Chamada cobrada que não existe no bilhete. A operadora cobra uma chamada que sua central nunca registrou. Pode ser erro de bilhetagem da operadora, pode ser tráfego originado fora da central — ou pode ser fraude de ramal.

Chamada no bilhete cobrada a mais. A central registrou 3 minutos, a fatura cobrou 4. A diferença de arredondamento é legítima em alguns contratos e não em outros. Reprocessar com a regra do contrato resolve.

Destino classificado de forma diferente. A central classificou como local, a operadora cobrou como interurbano. Um dos dois está com a matriz de prefixos desatualizada — e a diferença por chamada é grande.

Concentração inesperada. Um ramal com volume muito acima do padrão da área. Às vezes é uma função legítima, às vezes é uso indevido, às vezes é um ramal comprometido discando para números tarifados.

Por que fraude de ramal ainda acontece

Ramal com senha padrão e acesso a discagem externa continua sendo um vetor comum. O ataque roda de madrugada, no fim de semana, para destinos internacionais de tarifa alta.

O prejuízo aparece na fatura seguinte, trinta dias depois. Quem compara bilhete com padrão histórico vê no dia seguinte.

Duas conferências simples pegam a maior parte:

  1. Chamadas fora do horário comercial por ramal que nunca fez isso.
  2. Destinos internacionais em ramais sem perfil internacional.

Colocando os dois na mesma base

Para comparar, as duas fontes precisam virar a mesma estrutura: evento, data, origem, destino, duração, classificação e custo.

Depois disso, tudo é conferência. O bilhete ganha preço, a fatura ganha dono, e o mês passa a ter uma versão só.

É esse cruzamento que permite responder, no mesmo lugar, quanto uma área gastou, quem gastou e se o que foi cobrado bate com o que aconteceu.


O SGPC lê bilhetagem de Cisco, Avaya e VR por diretório monitorado e coloca os bilhetes na mesma base da fatura da operadora. Fale com a gente.